Dado o resumo, seguiremos para o mundo da estória.
Mundo da estória
Vamos definir o ambiente em termos de período, duração, localização e nível de conflito. Essas quatro dimensões emolduram o mundo da estória, mas, para inspirar essa variedade de escolhas criativas, você deve contar uma estória original, livre de clichês e preencher essa moldura com um alto grau de detalhe.
Gastamos um terço ou mais das nossas vidas no trabalho, ainda assim raramente vemos cenas de pessoas fazendo seus trabalhos. A razão é simples, a maioria dos trabalhos é chata. E, ainda assim, é de se pensar do que as minhas personagens sobrevivem? Não apenas o trabalho, mas devemos nos questionar todos os aspectos das vinte quatro horas do seu dia a dia. Como se divertem? Se rezam?
Qual a política que rege o seu mundo? Não necessariamente politica como direita/esquerda, democrata/republicanos, mas no verdadeiro sentido da palavra poder. Política é o nome que damos a orquestra de poder em qualquer sociedade. Quais são os rituais do mundo? Em todos os cantos do mundo a vida é ligada a rituais. Relacionamentos amorosos são políticos, como Sócrates e seus alunos, criamos um ritual para cada atividade, não apenas para cerimonioso públicas, mas também para nossos ritos privados. Quais os valores que regem ao mundo? O que os seus personagens consideram bom? Mau? O que elas acham certo? Errado? Quais são as leis da sociedade?
Quais são as prioridades dos personagens? Do dia em que nasceram até a cena de abertura, como a vida os moldou? Qual é a estória progressa? Esse é o termo frequentemente mal compreendido. Estória progressa é o grupo de eventos significantes que ocorreram no passado dos personagens que o escritor pode usar para construir suas progressões da estória.
O Incidente Incitante
Enquanto você cria o seu universo, você enfrentara as seguintes questões: como eu coloco minha estória em movimento? Onde eu coloco os eventos cruciais?
O incidente incitante desarranja radicalmente o equilíbrio de forças na vida do protagonista.
Quando a estória começa, o protagonista vive uma vida mais ou menos equilibrada. Ele tem sucessos e fracassos, altos e baixos. Quem não tem? Mas a vida está relativamente sob controle. Então, talvez súbita, mas em todo caso decisivamente, um evento ocorre e desarranja racialmente seu equilíbrio, mudando a carga de valores da realidade do protagonista para o positivo ou para o negativo.
Às vezes, um incidente incitante requer dois eventos: uma pista e uma recompensa. O escritor não pode atrasar a recompensa — pelo menos não por muito tempo — e deixar o protagonista ignorante sobre o fato de sua vida estar fora de equilíbrio.
Portanto, o Incidente Incitante primeiro deixa a vida do protagonista fora de equilíbrio, e então incita nele o desejo de restaurar esse equilíbrio. Dessa necessidade — muitas vezes rapidamente, às vezes com deliberação — o protagonista tira um Objeto de Desejo: algo físico, ou situacional, ou relativo à atitude que ele sente que falta ou precisa para colocar o navio da vida em uma quilha equilibrada. Finalmente, o incidente incitante induz o protagonista a uma busca ativa por esse objeto ou meta. E para muitas estórias e gêneros, isso é o suficiente: um evento altera a condição do protagonista, despertando um desejo consciente por algo que ele sente que vai acertar as coisas, e então ele vá atrás disso.
O protagonista deve reagir ao Incidente Incitante.
A espinha da Estória
A energia de um desejo do protagonista forma o elemento critico do design conhecido como a espinha da estória (também conhecido como Through-Line ou Superobjetivo). A espinha é o desejo profundo e o esforço do protagonista para restaurar o equilíbrio da vida. É a força unificante primária que mantém juntos todos os outros elementos da estória. Pois não importa o que aconteça na superfície da estória, cada cena, imagem e palavra é, em última instância, um aspecto da Espinha, relacionado, casual ou tematicamente, ao núcleo do desejo e ação.
Se o protagonista não tem um desejo inconsciente, então seu objetivo consciente torna-se a Espinha. Se, por outro lado, o protagonista tem um desejo inconsciente, ele se torna a espinha da estória. Um desejo inconsciente é sempre mais poderoso e durável, enraizado no eu mais interno do protagonista. Quando um desejo inconsciente guia a estória, ele permite ao escritor criar um personagem muito mais complexo, que pode repetidamente mudar seu desejo consciente.
A jornada
Do ponto de vista do escritor, olhando do Incidente Incitante "espinha acima" até o clímax do último ato, apesar de várias formas da Arquitrama à Antitrama, na verdade, há apenas uma estória. Na essência, nós sempre contamos aos outros o mesmo conto, de forma ou de outra, desde o crepúsculo da humanidade, e essa estória pode ser utilmente chamada de Jornada. Todas as estórias têm a forma de uma Jornada.
Para piorar ou para melhor, um evento tira o equilíbrio da vida de um personagem, despertando nele o desejo consciente e/ou inconsciente por aquilo que ele sente que vai restaurar o equilíbrio, lançando-o em uma jornada por seu objeto de desejo contra forças do antagonismo (interna, pessoal, extra pessoal). Ele pode ou não consegui-lo. Essa é a estória em uma casca de noz.
A forma essencial da estória é simples.
O design do incidente incitante
O incidente incitante de uma trama central deve acontecer entre as cenas. Cada subtrama tem seu próprio incidente incitante, que pode ou não estar na tela, mas a presença do público no incidente incitante de uma trama central é crucial para o design da estória por dois motivos.
Primeiro, quando o público experimenta um incidente incitante, a questão dramática maior do firme, uma variação de "o que vai acontecer?", instiga a mente. Segundo, testemunhar o incidente incitante projeta uma imagem da cena obrigatória na imaginação do público. A cena obrigatória é um evento que o público tem de ver antes da estória acabar. Essa cena levara o protagonista a um confronto com as mais poderosas forças do antagonismo em sua jornada, forças misturadas a vida pelo coincidente incitante que por meio do curso da estória. A cena é chamada de obrigatória, pois ao ter estimulado a imaginação da audiência a antecipar esse momento, o escritor é obrigado a manter sua promessa e mostrá-la ao público.
Localizando o incidente incitante
Onde localizar o Incidente Incitante no design geral da estória? Uma regra simples, o primeiro grande evento de uma trama central ocorre no primeiro quarto na narrativa. Ele pode ser a primeira coisa que acontece. Porém, se o Incidente Incitante de uma trama central ocorre mais tarde, a chatice se torna um risco. Portanto, enquanto o publico espera pela trama principal, uma subtrama pode ser necessária par a incitar seu interesse.
Se nós escritores temos uma falha comum no design e na colocação do incidente incitante, é que frequentemente atrasamos a trama central enquanto enchemos nossas sequências de abertura com exposição. Nós constantemente subestimamos o conhecimento e a experiência de vida do público, mostrando nossos personagens e mundo com detalhes tediosos que as pessoas do cinema já sabem por senso comum.
O impacto do Incidente incitante cria nossa oportunidade de alcançar os limites da vida. É um tipo de explosão. Não importa quão direto ou sutil, ele deve desarranjar o status quo do protagonista e desligar a vida de seu padrão existente, de modo que o caos invada o universo do personagem. Dessa revolução, você deve achar, no Clímax, uma resolução para melhorar ou para piorar, que rearranje esse universo em uma nova ordem.
BIBLIOGRAFIA:
Story: substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro. ROBERT MCKEE

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