Robert McKee é um célebre professor de escrita criativa. Nasceu em 30 de janeiro de 1941. Em 2000, McKee era um consultor de projeto de filmes e televisão, como a Paramount, a Disney, etc.
Por muitos anos os estudantes de Robert McKee têm levado as maiores honras de Hollywood. Sua palestra, Story, substância, é essencial para escritores de roteiros e realizadores de filmes. Diferente de outros livros sobre escrita de roteiros, Story é sobre forma, não fórmula. Em seu livro, McKee nos ensina o que chama de design do ato narrativo, abordado abaixo:
Complicações progressivas
O grande corpo da estória entre o Incidente Incitante e a Crise/Clímax no último ato. Complicar significa deixar a vida dos personagens difícil. Complicar progressivamente significa gerar mais e mais conflitos, que faz com que eles encarem forças do antagonismo cada vez mais fortes, criando uma sucessão de eventos que passe por pontos sem volta.
Pontos sem volta
O incidente incitante lança o protagonista em uma jornada por um objeto de desejo, consciente ou inconscientemente, para restará o equilíbrio da vida. Para começar a busca pelo desejo, ele age de forma mínima e conservativa para provocar uma resposta positiva da realidade. Mas o efeito da sua ação desperta forças do antagonismo do nível de conflito interior, pessoal ou social/ambiental que bloqueiam seu desejo, criando a Brecha entre expectativa e resultado.
Quando a brecha se abre, o público se dá conta de que esse é um ponto sem volta. Esforços mínimos não vão funcionar. O personagem não pode restaurar o equilíbrio da vida tendo ações pequenas. Sendo assim, toda ação semelhante à primeira tentativa do personagem, de menor qualidade e magnitude, deve ser eliminada da estória.
Ao se dar conta do risco, o protagonista adquire uma maior força de vontade e capacidade para atravessar essa brecha e fazer uma segunda ação ainda mais difícil. Mas de novo o efeito é provocar as forças do antagonismo, abrindo uma segunda brecha entre expectativa e resultado.
Em um risco maior, o personagem deve se ajustar as suas circunstâncias modificadas e agir de modo que requeira ainda mais força de vontade e capacidade pessoal, acreditando ou, pelo menos, tendo a esperança de que a reação de seu mundo lhe ajude ou possa ser controlada. Mas de novo a brecha se abre as forças do antagonismo ainda mais poderosas que reagem a essa terceira ação.
Novamente, o público reconhece que esse é o mais um ponto sem volta. As ações mais extremas não vão levar o personagem ao que ele quer, portanto, elas estão fora de cogitação também.
As progressões se constroem quando forçamos mais e mais a capacidade dos personagens, exigimos mais e mais força de vontade deles, colocamo-nos sob um risco cada vez maior, passando constantemente por um ponto sem volta em termos de magnitude ou qualidade da ação.
Uma estória não deve voltar para ações de menor qualidade ou magnitude, mas mover-se progressivamente para frente, em direção a uma ação final além da qual o público não consiga imaginar outra.
A lei do conflito
Quando o protagonista sai do incidente incitante, ele entra em um mundo governado pela lei do conflito. Tenha em mente: em uma estória, nada se move para frente se não for através do conflito. Em outras palavras, conflito está para a estória como o som está para a música. Tanto a estória quando a música são artes temporais, e a tarefa mais difícil de um artista temporal é segurar nosso interesse, segurar nossa concentração ininterrupta e então carrear-nos através do tempo sem que notemos sua passagem.
A lei do conflito é mais do que um princípio estético; é a alma da estória. A estória é uma metáfora para a vida, e viver é estar num conflito aparentemente perpetuo.
Escritores que não conseguem captar a verdade da nossa existência transitória, que foram enganadas pelos confortos contrafeitos do mundo moderno, que acreditam que a vida é fácil uma vez que você aprende a jogar o jogo, nos dão conflitos com a inflexão errada.
Se, como escritor, porém, você acha que os conflitos da mente, corpo, emoção e alma não lhe interessam, então de uma olhada no terceiro mundo e veja como o resto da humanidade vive. A maioria sofre uma existência curta e dolorosa, cheias de doença e fome, aterrorizadas pela tirania e pela violência desregulada, sem a esperança de que a vida será diferente para os seus filhos.
A vida é conflito. Essa é a sua natureza. O escritor deve decidir onde e como orquestrar essa luta.
Complicação contra complexidade
Para complicar uma estória, o escritor constrói o conflito progressivamente até o fim da linha. É difícil o suficiente. Mas a tarefa aumenta geometricamente quando levamos a estória da mera complicação a total complexidade. Conflito pode vir como já vimos de qualquer um, dos dois ou de todos os três níveis de antagonismo. Complicar simplesmente uma estória significa colocar todo o conflito em apenas um desses três níveis.
Design dos atos
A estória é contada em movimentos chamados atos - a macroestrutura da estória. Em A arte da Poética, Aristóteles deduziu que existe uma relação entre o tamanho da estória - quanto tempo ela leva para ser lida ou encenada - e o número de pontos de virada necessários para conta-la: quanto mais longo o trabalho, maiores as reversões. Em outras palavras, com suas maneira polida, Aristóteles está implorando, "por favor, não nos chateie. Não nos faça sentar por horas naqueles assentos de mármore duro ouvindo cores e lamentos enquanto nada acontece de verdade".
Seguindo o princípio de Aristóteles: na estória pode ser contada em um ato - uma série de cenas que molda algumas sequências que constroem uma grande mudança, terminando a estória. Uma estória pode ser contada em dois atos: duas grandes mudanças e acabou. Mas, novamente, ela deve ser relativamente breve.
BIBLIOGRAFIA:
Story: substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro. ROBERT MCKEE

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