Stalker
Jenny trabalhava em uma floricultura, ninguém além do seu melhor amigo, sabia a exata localização do lugar em que Jenny morava. Há anos, Jenny não permitia que pessoas entrassem em sua vida, não permitia que ninguém tivesse seu contato pessoal, às vezes, ela mentia seu próprio nome para estranhos. Ela precisava viver nas sombras do desconhecido, esta era sua vida miserável desde o momento em que um estranho começou sua tortura. No começo, o que era apenas uma piada entre amigos, tornou-se um inferno.
Jenny tinha um stalker.
Jenny sabia quem era o seu stalker.
No começo, quando as mensagens começaram, Jenny achava que não passava de um trote, chegou a responder algumas mensagens. Era engraçado o fato de ter alguém tão loucamente apaixonado por ela. Às vezes, ele deixava flores na porta da sua casa, mandava chocolate no trabalho e, às vezes, mandava uma banda ir para a universidade onde faziam uma serenata. Algumas mulheres sentiam inveja dela, outras discordavam completamente dessa ideia. Uma dessas pessoas era sua melhor amiga, que por vezes a alertou para não permitir que isso continuasse.
— Isso é inveja — ela acusou.
— É apenas cuidado, mas se acha tudo isso normal, então vá em frente e continue. Mas não espere que fique nesse mar de rosas continuo.
— Essa coisa de energia, “estou sentindo uma energia pesada”, é coisa de idiota. Ele só é alguém apaixonado, apenas isso, uma hora cansará.
— Tudo bem.
Ela não tocou no assunto novamente, acontece, que sequer falava com Jenny. O que ela poderia fazer? Aquilo aumentava seu ego já inflado. Então, os problemas começaram, Jenny se apaixonou por um amigo da academia. Ele a auxiliava nos exercícios, era extremamente atraente e estava na musculação há doze anos, era mais velho, inteligente e parecia ter muita experiência. O primeiro encontro foi perfeito, no fundo, ela sentia que havia encontrado o homem dos seus sonhos. Dois dias depois, ele foi encontrado morto. Era apenas uma coincidência, ela dizia até acontecer com o próximo e o próximo e o próximo… as pessoas começaram a se afastar de Jenny, como se ela fosse portadora de uma doença contagiosa.
Dois meses de perseguição e ela, finalmente, procurou a polícia. Uma semana depois, seu stalker, Jonas, um colega da universidade, havia sido preso, mas foi liberto depois por não haver provas que o ligasse aos assassinatos. Jenny tentou se manter longe de Jonas, mas a cada dia parecia vê-lo cada vez mais. Abandonou a universidade e tentou mudar de cidade, mas em todos os lugares que olhava, lá estava ele. Como se fosse sua sombra, uma sombra maldita de que não havia como se livrar.
Hoje, ele é seu único e melhor amigo e, contanto que vivesse sobre suas regras, ela poderia ser “livre e feliz”.
Autora: Maria Silva

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